quinta-feira, 24 de março de 2011

Expedição à Serra da Jibóia - BA (Brasil)


No dia 18/09/2009 embarquei como auxiliar de pesquisa para a Serra da Jibóia no formoso Estado da Bahia, pela Universidade de Feira de Santana, onde fiz estágio por alguns dias no laboratório de Sistemática de insetos (Lasis). A porção da Serra para onde a expedição se seguiu foi para o Morro da Pioneira, que fica a norte da cadeia de montanhas da Serra, que abrange ao todo sete municípios. Fica a poucas horas da cidade de Feira de Santana, no trajeto é possível ver o contraste espetacular entre a caatinga e a exuberante floresta atlântica. Ainda estava aprendendo como melhorar e capturar imagens que levassem desde boas recordações até o suspirar das pessoas sobre o quão encantador é este local. Possuia apenas minha lente 55mm, de curto alcance, mas muito útil, encorajada por uma nikon D40. Inicio a postagem do mês de março com a magnífica vista do alto da Serra, onde é possível observar uma série de espécies de orquídeas, bromélias, répteis, insetos, anfíbios, e vários outros tipos de fauna e flora endêmicos deste lugar. O local faz parte de uma fazenda particular, no sopé da Serra existe um pequeno povoado (Povoado de Pedra Branca) pertencente ao município de Santa Terezinha, que vivem da subsistência do lugar ou trabalham para os fazendeiros locais. A Serra possui um potencial biológico para pesquisa intenso e imenso, pude trabalhar ao lado de entomólogos dedicados e apaixonados por sua profissão assim como Etnozoológos, ornitólogos, botânicos, e a tantos outros que pesquisam e lutam para proteger o local do desmatamento visando áreas pastoris, além do tráfico ilegal das espécies da flora e da fauna. Nas horas e momentos vagos, fazia algumas imagens, imagens das quais algumas publico aqui.

Urubu de cabeça vermelha (Cathartes aura) espécie associada a ambientes florestais, com seus 1.80m de evergadura domina os seus com imponência e liberdade.

As Bromélias são uma marca registrada e um convite do topo pedregoso da Serra, onde fazem companhia ao lado de orquídeas e cactos endêmicos.

Orquídeas endêmicas vivem encrustadas nas pedras do topo da Serra, infelizmente são vítimas indefesas de colecionadores e pessoas que as vendem ilegalmente.

A Bióloga e pesquisadora Thamara Zacca vasculha a imensidão da floresta a procura de Lepidópteros novos para a ciência, afim de preservá-los e evitar que se percam informações de espécimes que correm perigo antes mesmo de serem descobertos.

Na úmida manhã dentro da floresta de altitude da Serra pouco se vê do que além de alguns metros a frente...junto com o canto das aves a névoa começa a se discipar e já é possível ver as primeiras e coloridas borboletas morpho (foto mais abaixo) cintilarem seu azul floresta a dentro.

Ao Raiar do meio dia o sol a pino, as imensas árvores de mais de 40m de altura fazem uma excelente sombra e abrigam bromélias maiores do que carros populares, onde formam comunidades inteiras de organismos, de crustáceos a anfíbio e répteis.

Plantas como estes tipos de samanbaias, formam silhuetas singulares na floresta, compõe um mundo à parte.

Vida dentro de vida, em qualquer parte que possua uma fonte de luz ou o sol possa raiar com mais intensidade, é travada uma batalha silênciosa entre as plantas, pois a luz vital para o seu crescimento é rara nas profundezas da floresta.

Uma escadaria viva compõe a floresta até o dossel das imensas árvores, uma infinidade de animais vivem nos mais variados tipos de microambientes, do substrato, na vegetação rasteira, nos troncos das árvores até o alto das copas.

Quando me deparei com algumas minúsculas formigas subindo estes enormes cipós, fiquei a imaginar o quão grandioso são os mundos dentro de mundos, dos quais muitas vezes nos passam desapercebidos.

A natureza é bela em suas composições, a imagem da folhagem de uma sombra de samanbaia cria um jogo interessante de luz e formas.

Após um contato rápido e um olhar desconfiado, um casal de moradores da região nos cumprimenta e se retira, extraindo da floresta algumas plantas supostamente para uso medicinal. O uso dos recursos da floresta por pessoas que a utilizam para sua subsistência pouco ou quase nada a afeta. O que a destrói realmente é a falta de informação e seus recursos esgotados de forma exaustiva por pessoas de um sistema capital que visa apenas o lucro.

As chuvas fazem parte de um retrato comun nas florestas tropicais, esta gota deslizava em uma folha do cipó (Aristolochia) nos primeiros pingos de chuva ao final de uma tarde. A vida é adaptável a estes tipos de precipitação, logo após as chuvas as aves voltam a voar, e as borboletas e insetos saem de seus abrigos, explodindo os locais de vida novamente.

Uma mariposa busca em sua camuflagem uma forma de abrigo, deixando propositalmente se confundir com parte de uma folha seca.

O substrato da floresta abriga muitos tipos de animais, entre eles anfíbios que se passam quase desapercebidos, só saltando em último caso quando estamos a poucos centímetros.

Um opilião (Aracnideo) ao atravessar um pequeno curso de água de um riacho de dentro da floresta, parece criar a imagem de um ser de ficção científica de outro planeta...

Um bicho-pau da ordem Phasmida do grupo dos insetos altamente camuflados, rompe a estática e começa a se movimentar nas primeiras horas da noite.

Esta flor espetacular com cores exuberantes, pode fazer lembrar formas de vida oceânicas ou mesmo de outro planeta.

Uma bela borboleta morpho azul toma sol em uma fresta de luz dentro da floresta, seu azul cintilante pode ser visto ao longe dentro da mata, em alguns locais esta borboleta é criada para fins de ornamento em quadros e bijuterias.

Uma jovem folha desta espécie de pteridófita (samanbaia) começa a desabrochar durante a madrugada.

Uma estranha espécie de gafanhoto, um inseto, da ordem dos Ortópteros, nos faz pensar de maneira engraçada a julgar por sua aparência que estranho e magnífico mundo vivemos. Há muito a se explorar, conhecer e preservar.

Despeço-me do mês de Março e das postagens da Serra da Jibóia na Bahia, com as cores e o aroma das orquídeas, que em sua simplicidade e beleza em seu silêncio, podem nos dizer que temos o dever de preservar a vida e mostrar o quão bela ela pode ser, se tivermos aptos a viver, aprender, sofrer e amar.

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